Ficou mal visto pelo governo do estado e essa situação, intolerável para ele, motivou sua transferência para o Rio de Janeiro.
Lá fez diversas amizades, dentre as quais Oscar Niemeyer e Rodrigo M. F. de Andrade. Pouco tempo depois de sua transferência para o sul do país foi convidado pelo arquiteto que projetou o Conjunto de Pampulha, em Belo Horizonte, para fazer os cálculos dos edifícios (Igreja, Cassino, Casa do Baile). Mais tarde, como funcionário da Novacap, passou a integrar a equipe de Niemeyer nos cálculos da cidade de Brasília.
Desde criança, Cardozo interessava-se pelas manifestações da cultura popular. Ele próprio relata que muitas vezes ficava até altas horas da noite vendo o bumba-meu-boi. Não é difícil concluir que tal interesse representou o solo onde fincou raízes. Onde se formou a personalidade artística responsável por uma obra literária em que o povo, com suas crenças, mitos, lendas, estaria sempre presente. O mesmo interesse levou-o, mais tarde, a pesquisar as origens do bumba, remontando aos autos pastoris da idade média. De uma noite de festa é um texto popular e ao mesmo tempo erudito, em que ao saber popular – como por exemplo a utilização de plantas medicinais – misturam-se outros saberes, como a física.
Ainda no Recife, nos meados da década de 30, Cardozo integrou a equipe que fazia a Revista do Norte, junto com José Maria de Albuquerque Melo. Nessa época freqüentava a Esquina Lafayette, onde se reuniam artistas e intelectuais como Luiz Jardim, Ascenso Ferreira, Benedito Monteiro, Otávio Moraes e outros, que ali se encontravam para conversar sobre assuntos de interesse geral, incluindo evidentemente poesia e as novas tendências artísticas.
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