Pessoas que conviveram mais de perto com o poeta comentam que, devido à sua timidez e senso crítico, Cardozo falava de tudo, mas a sua poesia era quase toda guardada “de cor”. Sua maneira preferida de dar a conhecê-la era dizendo-a em voz alta, nas reuniões com os amigos. Tanto é que foram alguns deles que tomaram a iniciativa de publicar em livro os seus poemas. Dessa iniciativa veio à luz o primeiro livro de Joaquim Cardozo, Poemas, editado em 1947, quando o poeta estava com 50 anos de idade.
Na poesia do Signo Estrelado, o Nordeste aparece transfigurado em imagens e ritmos entre-laçados; ao colorido, aos cheiros, aos sabores, às formas, à fauna nordestina, transfundidos por uma finíssima sensibilidade aberta às dimensões universais da arte. O livro é uma demonstração da altu-ra em que o sentimento lírico de identificação com a terra se transcende numa dimensão introspecti-va, como em A várzea tem cajazeiras, lembrando o Fernando Pessoa das sondagens do próprio eu:
(...)
A várzea tem cajazeiras...
Cada cajazeira um ninho
Que entre o verde e o azul oscila;
Mocambo de passarinho...
(...)
Nessa várzea sou planície,
vaga dimensão dormente,
tendida no chão conforme
sou de mim sombra somente.
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