O universo poético de Joaquim Cardozo

                                                                        César Leal


     A obra poética de Joaquim Cardozo constitui um conjunto de formas comparável a um sistema planetário em perfeito equilíbrio. Acredito que os poemas aqui reunidos irão proporcionar ao leitor uma abrangente visão da poesia como uma arte de transcendente beleza, um harmonioso mundo de claridade solar criado por um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. A quantidade não é a força em que Joaquim Cardozo apoia a noção de permanência de suas obra no tempo.Tal força repousa na qualidade porque a qualidade é um valor inerente aos grandes poemas, tais como os lemos em um Eugenio Montale, em um Saint-John Perse, em um Paul Valéry, em um Jorge Guillén, em um Drummond, um Jorge de Lima, um Wallace Stevens. Muitos outros poderiam ser citados. Ainda que alguns deles tenham escrito muito, o que se põe em evidência é o compromisso com a qualidade. A quantidade é o “excesso inútil”, daí dizer Valéry: “Le moderne se contente de peu”.

     A poesia de Joaquim Cardozo não é fácil, é complexa. Complexíssima, podendo até enganar o “leitor perfeito” da classificação do Dr. I.A. Richards. Creio que a nossa crítica de poesia, sob muitos aspectos, já se encontra equipada para um assalto estratégico às estruturas de poemas semelhantes aos de Joaquim Cardozo. Livros como Trivium incorporam numerosas linguagens presentes em todos os idiomas do mundo somente após a Teoria da Relatividade Geral de Einstein e a mecânica quântica de Werner Heisenberg, a que se integram as configurações permanentes da linguagem de Homero, Virgílio, Ovídio, Dante, Shakespeare, Coleridge, Baudelaire, Rimbaud, Valéry, Manuel Bandeira.

     Seu livro Poemas, publicado em 1947, assegurou-lhe um lugar na primeira linha entre os poetas do nosso modernismo. Em 1922 ele já era um dos autores pernambucanos mais representativos mas sua poesia não era conhecido fora do Recife. Publicava, eventualmente, em revistas do Rio mas poucos tiveram sensibilidade para perceber a riqueza de sua língua poética. Quando o mundo de 22 parecia ruir diante da chamada “Geração de 45”, Joaquim Cardozo, à semelhança de outro grande poeta – Abgar Renault – permanrcia fiel a uma poesia que lhe chegara ao conhecimento antes da Semana de Arte Moderna de São Paulo. Por isso, durante toda a fase de choque do modernismo conservou as “formas decorosas de expressão”, de que falava Carlos Drummond de Andrade, em 1944, em breve ensaio sobre Abgar Reanaut.

     A poesia de Joaquim Cardozo atravessou várias fases da evolução até chegar à esbeltez cósmica de Trivium e da “Canção de um tempo sem tempo”, último poema de Um livro aceso e nove canções sombrias. Creio que Joaquim Cardozo concluiu a obra que teria planejado realizar. A primeira fase é a fase de apropriação da linguagem, uma apropriação de novos processos que enriquecem a língua e isso é observado quando pela primeira vez, em um poema simples, suspende o adjetivo e o alarga até a posição de um advérbio, manobra impressionante que lhe permite dar a língua novas forças e, ao mesmo tempo, solucionar um problema de rima e de métrica. Isso ocorre em um poema de prospecção regional “Imagens do Nordeste”, do seu primeiro livro.

          A minha casa amarela
          Tinha seis janelas verdes
          Do lado do sol nascente,
          Janelas sobre a esperança
          Paisagem, profundamente

     Alguém que não fosse um grande poeta iria encher-se de fadigas à procura de uma rima para “nascente”. Paisagem profunda quebraria o verso, e a rima. Joaquim Cardozo, mobilizando as forças mágicas da linguagem, suspendeu o adjetivo tradicionalmente acasalado à palavra “paisagem” alongando-o à condição de advérbio e consegue esse milagre de “rara inventiva”. A paisagem a que se refere Joaquim Cardozo dizem alguns ser uma visão do mar observado de Olinda. Perguntei-lhe, em 1962, se isso era verdade, mas ele apenas sorriu. Como eu insistisse, sorriu novamente como resposta.

     Essa primeira fase é marcada pela presença do universo circundante. Fala-nos, das alvarengas, das casuarinas da Rua da Aurora, do Recife. Na segunda fase, inicia o percurso que o levará a distanciar-se dos seus primeiros poemas. Signo Estrelado (1960) o introduz, ainda timidamente, na poesia planetária. O poeta experimenta novas técnicas, inclusive a “técnica de fusão”, denominação dada por Hugo Friedrich a utilização de palavras oriundas dos mais variados campos semânticos, disso resultando todo um novo sistema de metáforas mundialmente aceitas como invenção de Rimbaud.

     Nesta coletânea, o “Congresso dos Ventos” é o poema de abertura, poema símbolo das vozes da humanidade, nítido anseio de fraterna comunicação entre os homens em escala planetária. O poeta recorre a “personificação”, que o conduz ao “desumano” tal como visto por Ortega y Gasset em seu famoso ensaio de 1925. Também o autor “desumaniza” o tema lírico já que os agentes da ação humana não estão presentes: apenas ventos – “os mais ilustres ventos da Terra”, tornando-se o autor mero repórter a relatar de forma impessoal tudo o que ocorre nesse congresso reunido na várzea do Capibaribe, onde o poeta nasceu em 1897. O primeiro vento a chegar é o Mistral “com seus cabelos de agulhas e os seus frios de dedos finos”. Depois vem Simum, com suas “barbas de areia quente”. Em torvelinho furioso chega Hamatã, representando seu império nas costas da Guiné. Do Nilo vem Cansim e as praias catalãs mandam o vento Garbino. Todas as ações humanas são atribuídas aos ventos, tais como respirar, falar, dançar, contar histórias de feitos guerreiros. Durante um acalorado debate, ouve-se entre tantas vozes, a voz do vento Nordeste, lamentosa e nostálgica.

          “Eu que, há trezentos anos,
          desembarquei das velas
          do Almirante Loncq
          Na praia de Pau Amarelo,
          Que tremulei nas flâmulas e
          Nas bandeiras das naus de D.
          Antonio Oquendo
          Aqui estou nesta várzea reduzido a
          Professor de meninos
          - Hoje vivo ensinando a empinar
          papagaios”.

     Ao escrever o “Congresso dos Ventos”, Joaquim Cardozo colocava à margem os temas regionalistas, provincianos e locais. Mostrava que o intercâmbio cultural entre os homens pode ser simbolizado pelo próprio ar, o ar em movimento que é sempre o mesmo em toda parte, sejam os ventos das Tundras siberianas, o Cansim do Nilo ou o Barinez, “respirando doçuras de rios azuis, afluentes do Orenoco”. Após tantas discussões, encerram o Congresso com danças de rodas, músicas e cantos de todas as partes do mundo, inclusive de mares tempestuosos, piões, redemoinhos, rodopios, parafusos, capoeiras. Depois, ergueram-se em alto vôo, em retorno às suas terras. O que saiu por último foi o vento Aracati, do Ceará.

          Cortou uns talos de chuva
          Com eles fez uma flauta
          E se foi, tocando e dançando
          E se foi, pela estrada de Goiana.

     Esse poema apresenta recursos que demonstram a perícia técnica de Joaquim Cardozo, seu domínio sob a camada sonora e o conhecimento dos valores próprios e de relação dos sons. Os quatro versos finais do poema exemplificam essa observação. A musicalidade dos quatro versos ele a obteve pelo uso das aliterantes “t” e “F”. O t aparece cinco vezes e o f quatro. As palavras “flauta” e “Goiana” são rimas assonantes tão sutis que até podem não ser percebidas pelos descuidados leitores de poesia. Isso por que na palavra flauta a última vogal acentuada está separada da vogal final pelo “u” cataléptico e a consoante “t”. Na palavra “Goiana” só o “n” se interpõe entre as duas vogais. O terceiro e o quarto versos são anafóricos: “E se foi... E se foi”, confirmando ser Joaquim Cardozo um mestre na orquestração de sons – diriam os já quase antigos formalistas russos.

     Trivium é uma das três ou quatro expressões máximas da poesia brasileira do século XX. Sempre se fala na “Visão do Último Trem Subindo ao Céu” como se fosse um poema dissociado do “Prelúdio e Elegia de uma Despedida” e do “Canto da Serra dos Órgãos”. Trivium significa o ponto de interseção de três caminhos, o ponto de encontro onde as coisas ou os seres falam a mesma linguagem. Significa também as três artes liberais constituintes da primeira parte do ensino universitário na Idade Média: Gramática, Lógica e Retórica. No livro de Joaquim Cardozo, o”Prelúdio de Uma Canção de Despedida” apresenta, também, o tema da “desumanização” já observado no “Congresso dos Ventos”. O poeta começa ouvindo no “seio da noite um choro prolongado”. Todavia, não são crianças, mulheres ou homens os que choram. Os agentes das ações humanas estão ausentes. Nos primeiros momentos pareceu-lhe ser o vento sobre as árvores do jardim ou até vozes distantes em serenata. Mas o pranto era demasiado sentido e perfeito. Parecia-lhe agora que descia das estrelas, das montanhas “ou como se subisse da terra fria ou da noite da águas”. O poeta indaga-se por que chorariam estrelas, águas, montanhas? Logo, a elegia vai alcançando uma linguagem transcendente, que indica ser o universo a fonte primordial das emoções onde se ocultam os segredos e mistérios das origens da vida:

          Em vão! Por toda a parte o vulto
          Da recusa,
          O Avesso, o Detrás, o Por baixo, o
          De permeio,
          Multidão de velados rostos,
          Luz voltada.

 

 



     Observem as enigmáticas palavras com iniciais maiúsculas do segundo verso, a causar no leitor um efeito emocional que prepara o aparecimento de imagens fantásticas, inteiramente alheias a experiência do receptivo. “Luz voltada”... quantos poetas criaram hoje imagens tão fortes como esta? A seguir, fala do sono que vem sobre os telhados e cavalos campolinos “em trajetória e agitação de crinas batendo as patas surdas e macias”. Logo indaga-nos que linguagem virá desse pranto perfeito e derramado? Utilizando formas anafóricas em série: “Eis a face... Eis o culto... Eis o pranto... Eis a noite”, logo fala-nos em negros diamantes, praias estelares e da “lâmpada de Korf, supensa dos abismos” a romper os muros dos dias apagando o rastro da morte. Imagens de grande força são freqüentes como a dos “seres sepultos em profundos espelhos”. Ao iniciar a terceira parte dessa Elegia, diz que é preciso partir enquanto é noite, preparando o leitor para a “Visão do Último Trem Subindo ao Céu”. Daí a minha tese de que o Trivium é um único poema dividido em três partes. Ainda no “Prelúdio e uma Elegia de Despedida”, surge a imagem cujo desenho psicológico da forma, lhe confere exatidão, verdade e beleza ao falar de uma viagem “além do ar”.

          Do ar – plâncton do espaço,
          Alimento das asas.
          casulo da luz – crisálida.

     Aqui a aparente simplicidade da linguagem esconde algo muito complexo, que aumenta o prazer da leitura do poema, em especial quando se alcança o conhecimento daquilo que Joaquim Cardozo quis dizer nesses versos, fundadores de uma imagem cuja significação está expressa no contorno de sua geometria perfeita. A canção termina anunciando a viagem no trem, ao rumo ao Empíreo, como em Dante, mas a um espaço sem espaço e a um tempo sem tempo.

          vÉ partir!
          É partir e partir para o fim
          Das memórias...
          Arcturus, Antares, Altair! Capitâneas
          Dessa navegação taciturna e
          para sempre
          E para além da verdade e grandeza
          Da vida.

     A relação do “Prelúdio e Elegia de uma Despedida” com a “Visão do Último Trem Subindo ao Céu” está visível na alusão ao “fim das memórias”. No verso 365 da “Visão do Último Trem”.... Joaquim Cardozo demonstra como seu poema está submetido à “reflexão técnica” ao escrever: “Poeira da memória, da memória dos homens / que irá um dia perder-se no universo”. Nessa altura do poema ele está falando mais em relação à Mecânica Quântica de Werner Heisenberg, ou seja à física das partículas, do que da Teoria Geral da Relatividade de Einstein sem a qual lhe seria impossível narrar os acontecimentos que os passageiros presenciam, previsto na equação E = mc2, em que E representa a energia, m a massa e c a velocidade da luz. Joaquim Cardozo consegue tratar esses temas na linguagem da mais alta poesia. Os viajantes do trem “olham do alto as – alterações? Que os homens introduziram no que há de cósmico e permanente na natureza das coisas da Terra. – Tão tristes, tão pobres tão medíocres que logo são absorvidas pelo Planeta. “Olham para os homens cheios de orgulho e de glória / Os rostos voltados para o alto, para as estrelas longínquas / - E assim ficam até que a terra sequiosa / De novo lhes toma e lhes vem beber os olhos //. As reflexões filosóficas são constantes e da mais alta sabedoria: “Onde estão os mortos, pensam os passageiros do trem / Se a morte é vivida... / Se as homenagens aos mortos são para a glória dos vivos / Mortos: pasto da fama, fome dos heróis? Sobreviventes: / - O morto é um troféu, uma medalha uma cruz prateada / No peito de um vivo. / Onde estão os mortos? Perguntam os passageiros”//.

     Sem quase referir-se à teoria da relatividade ele a expõe com o conhecimento do mais completo astrofísico. O trem obedece, em todo o seu rigor, aos postulados de Einstein, durante seu deslocamente nas geodésicas já que o espaço euclidiano não é mais considerado. Consciente de sua missão de poeta Joaquim Cardozo sabe que o trem, como objeto material, nunca poderá alcançar a velocidade da luz, mas a função fabuladora da linguagem, que pertence unicamente ao homem, lhe permite unir ciência e mito, o que ocorre exatamente na linha 457, quando “O trem ultrapassa a velocidade da luz” e já não é mais “um objeto do universo”.

          O trem e os seus passageiros
          Romperam os vínculos da inércia
          Rasgaram as cortinas da gravitação
          Suas formas ponderáveis recuaram
          Para seus contornos
          Para as nébulas mais leves das
          origens.

     Na IX parte da “Visão”, o trem entra na região dos mortos e, entre muitos outros que viveram na Terra, ele vê Mahatma Gandhi “E as cabrinhas que lhe deram o saboroso leite; / Nas gotas da clara nuvem, dos homens / Que ele não pode impedir de morrerem famintos”. Na região dos sonhos, ele escreve que “viver é saber sentir, sonhar. O sonho é o gás da Razão fictícia”. Mostra-nos – grande lição” – que se o trem não houvesse saído no início da noite para sua viagem ao sem fim, se houvesse partido pela madrugada, ou com o sol azul do meio dia, “outros seriam os pontos - acontecimentos / De sua viagem seriam outros o sonho e os pontos do sonho, / Outra a visão do, ao céu chegando, último Trem”. Melhor remeter o leitor ao final desta parte do Trivium, quando Joaquim Cardozo escreve:

          No cento dos centros, do anúncio
          de todos os possíveis /
          Erguido em Glória, em Majestade,
          em Grandeza,
          O acontecimento Branco.
          Divino? Eterno.

     E o livro conclui com a personificação da Serra dos Órgãos, quando a montanha narra o início de tudo o que ocorreu no planeta até o aparecimento da vida, do homem, e a profecia de seu fim, - o fim do homem – bem antes do de outros seres vivos, inclusive as aranhas e as formigas.

     O último poema do livro póstumo de Joaquim Cardozo é a “Canção de um tempo sem tempo”. Nela, o tempo é reconhecido apenas por suas dimensões relativísticas, quânticas ou entrópicas. Em nenhum momento ele se refere às dimensões empíricas ou psicológicas. O reconhecimento desse fenômeno é de importância tanto para a teoria quanto para a crítica do poema. As dimensões do tempo observadas pertencem ao âmbito da física moderna e, assim, atendem à teorização de Baudelaire sobre a sobrevivência da poesia sobre o fim da arte. No poema “Canção que veio de um sonho negro” – Joaquim Cardozo já inicia a reflexão que vai desenvolver na “Canção de um tempo sem tempo”, quando fala do cinturão de Van Allen, as cintas que protegem a vida na Terra da chuva de raios cósmicos vindos das profundezas do espaço. Quando esses raios alcançam o cinturão de Allen, logo são desviados para o polo magnético do planeta. Na segunda parte da canção, Joaquim Cardozo expõe toda a dramaticidade do que foi dito na primeira parte do poema: “Este poema é mais do que poesia / Além de verso e ritmo / Mesmo poesía mélica e elegíaca / Esta canção é de forma visionária / É uma canção de forma e contraforma / É de ausência entre ausências / É o nada do nada e outros nadas”

     Do que fala Joaquim Cardozo? Na mais pura língua poética da modernidade, Joaquim Cardozo fala da teorias da antimatéria ou antitempo de Paul Dirac, prevista em 1929 e descoberta pelo físico norte-americano Carl Anderson, em 1932. Esses temas têm influenciado poetas e filósofos. Freqüentemente, eles indagam se existe, em condições diferentes das conhecidas por nossa experiência, uma correnteza do tempo fluindo em sentido oposto ao daquele tempo que avança “direcionalmente” rumo ao futuro. Os físicos Dirac e Carl Anderson responderam que sim. Ambos ganharam o Nobel pela previsão e descoberta do pósitron, partícula desse fantástico antitempo. Dirac, em 1933, e Anderson em 1936.

     No final da “Canção do tempo sem tempo”, Joaquim Cardozo escreve: “Nas teclas que são de nitrogênio / E nas que de carbono se transformam / Surgem sempre hidrogênio, / E de novo girando, oxigênio / Num rodar constante e musical / É o ciclo da luz, da luz do Sol”. Na sua afirmativa de que “esta canção é mais do que poesia, verso, ritmo, poesia elegíaca e mélica”, está colocado o desafio ao leitor. Na realidade, ao falar de “forma e contraforma” e de ausência entre ausências”, do nada e outros nadas”, Joaquim Cardozo está poetizando a teoria da antimatéria, antitempo ou antipartículas que é igual a ausência de partícula. Ao falar do “ciclo” do “carbono”, “hidrogênio” e “oxigênio”, está se referindo ao tempo cíclico, igual à teoria do universo oscilante. Para tratar o tema, Joaquim Cardozo remonta aos gregos. Não precisaria de apoio na tradição. Mas essa tradição existia na poesia latina de Lucrécio que se ocupou, com tanta força, da física de Epicuro. Por sua vez, Epicuro filia-se à tradição filosófica da poesia de Parmênides. Poucos – pouquíssimos – poetas brasileiros além de Joaquim Cardozo e – permitam-me ou não – eu próprio, integram-se a essa corrente da poesia que têm suas raízes mergulhadas profundamente no solo da cultura greco-latina.

     * César Leal é poeta e crítico de poesia. Integra o conselho editorial da revista Poesia, da Fundação Biblioteca Nacional, órgão do Ministério da Cultura. É autor de, entre outros, Tempo eVida na Terra, Companhia das Letras, livro que reúne sua obra poética.
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