Leo Gilson Ribeiro em Caros Amigos
Um poeta importante do Nordeste, Joaquim Cardozo, surge agora através de um longo ensaio erudito da professora Maria da Paz Ribeiro Dantas, de Recife. Há muitos anos vivenciando a poesia de Cardozo, ela se dá conta de que o leitor também tem o direito de tirar suas próprias conclusões. O livro de trezentas páginas se intitula Joaquim Cardozo, Contemporâneo do Futuro.
Poeta culto, Joaquim Cardozo tem também obras mais acessíveis, que lembram a Manuel Bandeira:
Eram Cinco Estrelas do Mar
Naquele velo sobrado
Da praia de Santa Rita
Eu via a noite chegar
Eu via estrelas luzentes
Erguendo o vôo, subindo
Da superfície do mar.
Eu via estrelas nascendo
Na noite do meu pesar.
Passavam serenamente
Por cima do meu telhado
Tantas estrelas... estrelas
Que vinham do largo mar.
Estrelas do esquecimento...
Não me cansa relembrar.
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Eu via também no céu
Da noite funda e estrelada
O brilho triste e pungente
Da estranha constelação
Que muito, por muitos anos,
Desamor e desenganos
Deixou-me no coração.
eram cinco estrelas do mar
Eram cinco estrelas do mal
Impregnadas de luz, impregnadas de frio
e de sal.
Eram cinco estrelas de sal.
Mas um dia, de repente,
Na força da madrugada
Soprando um vento inclemente
Cessou o encanto afinal.
Sumiu-se a constelação
Das cinco estrelas do mal
Desfeita em cinza, levada
Pelo sopro do terral.
Publicado na coluna JANELAS ABERTAS. De Leo Gilson Ribeiro. Caros Amigos. Maio.2004.
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