Não. Nem propriamente situar a ciência como antípoda à disposição do mito. Trata-se, isto sim, como ocorre precisamente no discurso mitopoético, de unir, de vincular um ao outro. Não apenas tematicamente. Mas epistemologicamente. Através de recurso a linguagens-objeto, capazes de gerar um produto novo. Não mais apenas a ciência. Não mais apenas o mito. Mas o mitopoema, com toda a sua carga específica. Há muita clareza na exposição da autora e muita força na sua argumentação serena. Joaquim Cardozo merecia um tal estudo interpretativo. Este ensaio é em tudo digno do grande poeta que há pouco nos deixou. Poeta intensamente nordestino. Poeta inteiramente pernambucano. Maria da Paz Ribeiro Dantas soube aproximar ciência e mito. Soube unir Roland Barthes e Joaquim Cardozo. E de tudo resulta um livro inteligente, profundo, erudito e moderno. Original. Cardozo pertenceu àquela estirpe nobre dos engenheiros-escritores, como Euclides da Cunha, Carlos de Laet, Gustavo Coração ou Samuel Rawett. Cardozo gostaria de um tal livro, brasileiro e universal. (Orelha).


                                                                                                           Antônio Carlos Villaça
 Rede de Idéias                           Editora: Maria da Paz Ribeiro Dantas. Colaboração especial: Douglas Tabosa de Almeida                                      .