Parahyba, Ponta do Cabo Branco, tarde de maio de 2004.
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Maria da Paz:

     
Li o seu livro Joaquim Cardozo contemporâneo do futuro, assim como já lera os anteriores acerca do mesmo autor e dos mesmos motivos. Duas ou três décadas de estudos intensos lhe deram a capacidade, quase absoluta, de desvendar o mistério da criação poética, no autor de Poemas e, mais especificamente, na composição Visão do último trem subindo ao céu. As bases teóricas da física quântica associadas ao conceito de relatividade e ao princípio de incerteza constituem matrizes certeiras para apreender os espaços poéticos da lírica cardoziana. A física quântica está mais próxima da poesia que as ditas ciências humanas de cariz positivista. Você, como ninguém, soube e sabe, tendo por território as imagens de Visão do último trem subindo ao céu, descortinar as possíveis co-relações sistêmicas entre a ciência e a linguagem poética. Sua leitura, desta feita, vai além da lógica do mito e salta para além da garupa da metafísica, para se instaurar, livre e imaginativa, nos campos imprevisíveis da poeticidade. Cardozo se aclara, se amplia, se multiplica nos trâmites de sua leitura arguta, profunda e criativa.



 



     Gosto também dos cotejos entre a vida e a poesia, sem os parafusos de um biografismo determinista típico do século XIX e que deu o pior rescaldo da crítica literária. Acerta você quando se preocupa com o imaginário do poeta e como este imaginário se transmuda em dicção expressiva. A seleção dos poemas é das melhores. Enfim, seu livro, aliás belo livro graficamente falando, é dessas obras indispensáveis aos cardozianos de algibeira, mas também, por extensão, a todo aquele que estuda e ama a literatura, sobretudo na sua fenomenologia poética.

     Parabéns! Sem mais, receba meu abraço fraterno e esperançoso (de Esperança, terra brejeira que nos deu o poeta Silvino Olavo). No mais, é viver e morrer pela poesia até que os bárbaros pós-modernos nos invadam no sossego de sua melodia encantatória. HBF

     (Hidelberto Barbosa Filho é poeta e crítico literário. É paraibano e reside em João Pessoa).

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 Rede de Idéias                           Editora: Maria da Paz Ribeiro Dantas. Colaboração especial: Douglas Tabosa de Almeida                                      .