Leituras & Contatos Virtuais
.

----- Original Message -----
From: Ruy Vasconcelos
To: Maria da Paz R. Dantas
Sent: Sunday, April 25, 2004 6:37 AM
Subject: RES: Joaquim Cardozo

Prezada Maria da Paz,

Já concluí a leitura. E tomei várias notas. Devo resenhá-lo para um jornal local: 'O Povo' tão logo meus compromissos na universidade suavizarem um pouco, aí por meados de maio próximo. Do que há de mais interessante: o modo como v. analisa a relação de Cardozo com as mulheres; ressublinha a importância do grupo em torno da Revista do Norte; sua sugestão de um Cardozo flâneur -- é claro que Benjamin é um autor que me é muito caro; esse olhar voyeur sobre os sítios e quintais às margens da ferrovia; a maneira como você destaca a facilidade de Cardozo para "transitar, com tanta segurança do abstrato ao concreto" -- e que, uma vez mai, nos remete para a fórnula camoniana: "da particular beleza/ para a beleza geral"; uma instância, de resto, de um alto teor de platonismo; e fiquei ansiando por mais extensão em sua leitura do "Prelúdio e Elegia...", porque está muito consistente e plástica; eu desconhecia que Cardozo foi tradutor de William Carlos Williams (um de meus projetos futuros inclui a tradução integral de Paterson); e há por fim, mas não menos importante, a exaustiva e instigante leitura de "Visão do último trem..." ; para não falar da bela e indispensável antologia. Meus parabéns! E obrigado pelo envio do relato. E, sim, por favor, mantenha-me informado sobre o projeto de edição da obra completa.

Com meu abraço e minha gratidão,

Ruy




----- Original Message -----
From: Maria da Paz R. Dantas
To: marlucchesi@aol.com
Sent: Monday, April 19, 2004 11:34 PM
Subject: temido encontro

Poeta Marco Lucchesi:

Um dos poemas de SPHERA é:

E temo a cada
passo
o encontro que
não sei.

Pode ser que eu seja um desses encontros imprevistos; mas espero que não lhe seja maléfico...
Cheguei a você através de um livro enviado pelo Everardo Norões: Joaquim Cardozo contemporâneo do futuro.
Gostaria muito que o lesse. Um dos motivos é que você parece gostar de física (percebi isso pela entrevista que deu ao Rascunho, em setembro de 2003), que li com muito interesse. E como meu texto envereda um pouco por esse caminho quando analiso o segundo poema do Trivium, de Cardozo , pensei em lhe perguntar se chegou a lê-lo. Adianto que estou aberta a qualquer crítica que porventura queira fazer.

Seja o que for que tenha a dizer-me, peço licença para trocar a palavra temo pelo verbo esperar, e o verbo temer pela sua negativa :

E espero a cada
passo
o encontro que
não temo.

Um abraço de
Maria da Paz




----- Original Message -----
From: Marlucchesi@aol.com
To: peace40@uol.com.br
Sent: Tuesday, April 20, 2004 5:53 PM
Subject: Re: temido encontro

querida amiga,

que alegria ver o seu e-mail e a delicadeza de sua abordagem, honesta e verdadeira e sutil, como a da ensaísta. Eu estava quase para lhe escrever, o que não fiz por recuperação de um pequeno problema de saúde. Mas era para lhe dizer de meu entusiasmo: primeiro pela paixão que dedica a joaquim cardozo, e depois pela rara abordagem (rara e séria) das questões da física na literatura, sem reduções, ou diminuições, mas como forma dialogal muito bem realizada e sincera, o que é muito raro, de modo geral, e muito mais raro em nosso país. Não conheço melhor análise do trem subindo...
o seu livro, pela atitude, novidade, coragem provocou em mim grande estímulo e alegria, de verdade.

um abraço amigo,
Marco




----- Original Message -----
From:
Alejandro Reyes
To: Maria da Paz R. Dantas
Sent: Monday, June 28, 2004 1:58 PM
Subject: Joaquim Cardozo e entrevista...

Querida Maria da Paz,

Voltei neste sábado de Lençóis, onde tive finalmente oportunidade de ler a primeira parte do seu livro. Várias coisas me impressionaram. Primeiro, a poética da sua escrita. Fico impressionado com essa característica, que estou aprendendo a reconhecer na sua escrita, de um forte e sempre presente lirismo, mesmo na linguagem ensaística. A sua análise do "Prelúdio e Elegia de uma Despedida" é de uma beleza extraordinária, certamente à altura de um poema que muito me impressionou. Ele consegue criar, de forma muito forte, um sentimento de angústia existencial que tem ressonâncias muito pessoais para mim, pois não é pouco freqüente eu me deparar com esse mesmo sentimento no meio das noites de insônia. O ambíguo otimismo do fim é de uma perfeição inigualável. O ambiente do poema me lembrou muito uma experiência que eu tive nas montanhas do Nepal, e sobre a qual escrevi um poema que não ousaria lhe mostrar (sou péssimo poeta!). Tinha caminhado muitas horas, numa paisagem belíssima, quando começou a nevar. A neve apagou o caminho, e eu peguei a trilha errada. Sem equipamento para dormir na intempérie, com a neve que não deixava de cair, a névoa densa que apagava a paisagem e a noite que começava a cair, comecei a ficar angustiado. A solidão do Himalaia é sobre-humana, e nessas condições nossa insignificância se torna brutalmente palpável. A noite se aproximava enquanto eu procurava em vão uma gruta ou algo parecido para me refugiar. E então, quando eu começava seriamente a me desesperar, ouvi, não um choro prolongado, mas um canto belíssimo de mulher, tão sutil que parecia ser parte da neve e das montanhas. Olhei para cima e aconteceu algo que até agora me parece um sonho. A névoa, lá em cima, começou a se dispersar, e apareceu, em pé numa rocha, a silhueta de uma mulher, cantando, olhando para o abismo. É uma das imagens mais belas de que eu tenho lembrança. Quando me repus da surpresa e do deslumbramento, subi como pude a encosta e descobri um povoado, onde pude passar a noite na casa de um camponês.

Mas voltando a Joaquim Cardozo. Compreendo agora o seu encantamento pelo homem e pelo poeta. E a ligação entre o engenheiro e o poeta parece-me agora muito mais evidente, por seu vínculo com a arquitetura, que não deixa de ser uma forma de poesia, e com as coisas da natureza. Sua maneira de vincular o passado e a tradição nordestina ao presente e ao futuro é também admirável, se encaixando admiravelmente nesse período tão prolífico que foi o modernismo. Estou agora tentando roubar minutos às atividades loucas desta mudança, para ler o resto do livro.

Sobre a entrevista, estou enviando em anexo. Permiti-me a liberdade de trocar a ordem de duas perguntas, espero que você não se incomode. Mandarei, também, em outro e-mail, uma foto minha (um pouco menos irreverente).

Um forte abraço.

Alejandro




----- Original Message -----
From: Maria da Paz R. Dantas
To: luizseabra@natura.net
Sent: Sunday, August 29, 2004 11:36 PM
Subject: Revista Continente Multicultural

Edição Nº44- Julho de 2004

LITERATURA

Luiz,

envio-lhe esta resenha sobre meu livro e aproveito para dizer que não esqueça de lê-lo.

Gostei muito das fotos do Encontro VIP Natura de março 2004 e especialmente de sua palestra, naquela tarde aí em São Paulo ( e que recebi gravada em video).

O lema Bem Estar Bem encontra consistência na filosofia que inspira a prática da empresa. O spleen interior desse líder que é você impulsiona a partir de dentro, dá às mentes sensíveis a consciência de nacionalidade em sentido amplo, de cuidado materno com o ser orgânico da Terra.

Lindo o poema que encerra a mensagem.

Um grande abraço de
Maria da Paz.




----- Original Message -----
From: < luizseabra@natura.net>
To: "Maria da Paz R. Dantas" < peace40@uol.com.br>
Sent: Monday, August 30, 2004 1:33 PM
Subject: Re: Revista Continente Multicultural

Maria, que é da Paz, mas também da Esperança, da Guia, do Sonho, da Beleza...

Muito obrigado pelas lembranças.
Fique tranqüila quanto a minha leitura de Joaquim Cardozo Contemporâneo do Futuro. Vou acabar ficando muito familiar do que havia no coração dele (e também no seu, já que há tantos anos ele te inspira). Desde abril o livro está do lado direito de minha mesa e, sempre que posso, faço uma visitinha a esse Seu Cardozo que começou com s e evoluiu para z (você sabe por quê?). Não lembro qual o poema que gravei no vídeo a que você se refere, mas me deu súbita vontade de escrever para você (se eu lembrar na íntegra) um poema do Menotti del Picchia que declamei para as Consultoras no Evento Chronos de 2003.

Goza a euforia do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite,
Enche-o de estrelas.
Conserva a convicção de que teu vôo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascenção,
se pressentires que amanhã estarás muda,
esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.
Canta. Canta para preservar a sensação de festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais do que um vôo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota.
Canta e voa enquanto resistirem as asas...

Recebi esta poesia como presente de fim de ano (2000) de um velho amigo.
Espero, minha amiga, que ela possa trazer para você o mesmo encanto que em mim despertou.

Abraços do
Luiz




----- Original Message -----
From: Alejandro Reyes
To: Maria da Paz R. Dantas
Sent: Monday, September 06, 2004 5:21 PM
Subject: De Berkeley...

Querida amiga,

há muito tempo queria comentar o seu livro sobre Joaquim Cardozo, que muito me marcou, sobretudo o poema "Visão do Último Trem Subindo ao Céu" e a sua análise do mesmo. O poema é realmente extraordinário, e qualquer comentário meu ficaria pálido perante a sua análise, uma leitura surpreendentemente lúcida e reveladora. No entanto, posso dizer que, para mim, o poema tem ressonâncias muito pessoais, que têm a ver com um longo questionamento existencial sobre o sentido da vida e da morte. Não sei se você tem lido muito sobre o budismo e, em particular, sobre a "inexistência do ser", teoria desenvolvida pelo sábio tibetano Nagaryuna e ampliada por Chandrakirti, mas que de fato está no âmago de todo o pensamento budista. O poema de Cardozo pareceu-me uma brilhante interpretação poético-ocidental dos mesmos conceitos. Não sei se ele teve algum contato com o budismo, ou se a sua busca pessoal o levou a conclusões metafísicas similares; fato é que a sua Visão do Último Trem é uma belíssima (e muito inteligente) viagem rumo a esse Acontecimento Branco, pressentido na vastidão e no silêncio, justamente, do Himalaia e dos mosteiros budistas, que eu tive a felicidade de visitar. A desintegração gradual dos sentidos, a inversão-anulação dos tempos (presente, passado, futuro), o transpor dos limites do físico... isso tudo tem de certa forma a ver tanto com a física quântica ocidental quanto com a filosofia oriental. Extraordinária coincidência de pensamentos, desvendada através da lírica ciência do poema.

A leitura do livro também me fez entender a fascinação que Cardozo tem exercido em você, sobretudo no que diz respeito à procura da liberdade, expressa nas escolhas de vida do poeta tanto quanto na sua poesia. E me faz pensar que a escolha da liberdade é sempre a mais difícil: ela implica não apenas saber enfrentar a solidão (e, sobretudo, a solidão existencial), mas ter de enfrentar o vazio da falta de respostas pré-estabelecidas, de normas e valores externos, de referências sólidas que dão sentido à vida. A escolha da liberdade é análoga à queda livre no vazio do relativismo.

Enfim, não sei se tudo isso faz algum sentido. Queria apenas lhe dizer que descobrir Joaquim Cardozo através do seu livro me tem sido uma das experiências mais prazerosas dos últimos tempos; experiência não apenas estética, mas, de certa forma, existencial. E não posso mais que concordar com a avaliação do autor do artigo na Continente, no sentido de que Cardozo encontrou em você uma leitora sem dúvida à altura do poeta.

Mando-lhe um grande abraço.

Do amigo
Alejandro




----- Original Message -----
From: Maria da Paz R. Dantas
To: Ruy Espinheira Filho
Sent: Saturday, September 11, 2004 10:46 AM
Subject: Re: Livros

Caro Ruy,

obrigada pelo envio do exemplar de seu livro. Já comecei a ler. Ontem estava lendo alto, para uma amiga, o poema O pai, e a um certo momento (quando falava do menino caminhando sobre as tábuas rangentes, e aquela dor no peito), me faltou a voz e você pode imaginar por quê. Que grande figura, o seu pai! .Aquele do avô é outro que me tocou desde que o li no site de poesia. Aliás, o do pai me lembrou passagens da minha Elegia para Sebastião.

Tenho um livro em que venho trabalhando desde as década de 1990, chama-se Solo e Subsolo. Fala coisas que, na linguagem usual, eu nunca falaria. E que têm a ver, em certo aspecto, com o que eu chamo de Destino (na orelha do meu livro).Mas não só com isso, e sim de pessoas, de várias outras circunstâncias. E que, por ser muito pessoal, pretendo trabalhar, no sentido de deixá-lo menos identificável...Não sei bem ainda o que vai resultar disso. Envio-lhe três capítulos e o meu abraço

Maria da Paz




----- Original Message -----
From: Ruy Espinheira Filho
To: Maria da Paz R. Dantas
Sent: Sunday, September 12, 2004 11:15 AM
Subject: Re: Livros

Querida Maria:

São belos e líricos os capítulos que você enviou, acho que o resultado final será uma obra densa de poesia e emoção. Quanto ao seu outro livro, o ensaio sobre Joaquim Cardoso, achei-o excelente, feito com erudição e sensibilidade, o que é raro em ensaios. Li-o de duas sentadas e me senti bastante enriquecido - especialmente, é claro, em relação ao autor estudado. Meus parabéns - e obrigado pelo ótimo presente.

Minha poesia, como você já percebeu, nasce diretamente da vida, de dentro, jamais é produto de artimanhas, trucagens etc. O que escrevo é o que sinto. Como acontece com você, pelo que já observei. O poema "O pai" saiu com pedaços da alma. Um dia, no Rio, o poeta Gerardo de Mello Mourão me pediu que o lesse em voz alta: respondi que não seria capaz. Uma vez tentei e acabei chorando, não cheguei nem à metade. A lembrança de meu pai está presente em muitos poemas, como você vai ver. Bom, vou ver outras coisas para lhe mandar.

Um abraço grande.
Ruy




----- Original Message -----
From:
jdenys
To: Maria da Paz R. Dantas
Sent: Sunday, October 24, 2004 11:22 PM
Subject: Re: O nascimento do site

Minha querida Da Paz.

Há uma semana estou em dívida, entre tantas e maiores, com você.

O site da dupla Cardozo/Da Paz está ótimo para o que acabou de nascer. Imagino o quão excelente ficará com o natural desenvolvimento, nutrição, crescimento, divulgação, visitação, deleite...

Por que está ótimo? Porque está bem diagramado, isto é, página limpa, texto preciso, ótima legibilidade, figural leve, o que permite acesso rápido e confortável.

Os textos, o miolo precioso de tudo isso, estão ótimos, em diálogo fluente com a forma eletrônica na qual estão inseridos. Que mais posso dizer? A iniciativa é riquíssima, pois põe em circulação mundial uma parelha poética de qualidade indiscutível. O mundo todo ganha com esse empreendimento crítico e sentimental. Parabéns a você e a todos que concretizaram, com justiça e competência, tão importante projeto.

Beijos carinhosos,

João Denys.





----- Original Message -----  
From:
Ruy Vasconcelos
 
To: Maria da Paz Ribeiro Dantas 
Sent:
Tuesday, May 10, 2005 4:38 AM

Subject:
notas em ritmo de carga ligeira ---  

Maria da Paz,  

fascinado com 'o mito e ciência'. Com a perspicácia da análise. Aquele primeiro capítulo que trata do onírico é de uma beleza ímpar. E o livro todo me suspendeu fio da navalha. No fim de semana estive para poucos. Estive para a leitura do livro. Gostei muito de algumas passagens. Especialmente aquelas em torno das citações de Huizinga.

Mas, como sempre, tive um pé atrás diante de Barthes e das semiologias e semióticas --- ciências, de resto, tautológicas e sem ludicidade, que parecem morder a própria cauda. E ainda por uma certa alergia a alguns autores pós-estruturalistas franceses, por sua verbosidade, por criarem conceitos que Benjamin definiria como "tentativas mal sucedidas de nomeação em que a intenção tem maior peso que a linguagem" (Derrida age quase sempre desta forma, mas Barthes também, em muitas ocasiões), gostaria de lançar algumas reservas:

1. Um dos problemas é o de que a ciência, ao que tudo indica, não necessita ser apropriada por  outro discurso (no caso, o da poesia) para conviver com o mito. Isto porque a ciência --- e Cardozo intui isto maravilhosamente bem --- é já, de antemão, um mito. Aliás, "o" mito. O maior mito da modernidade. Então, se Cardozo joga com este mito em sua poesia --- ou lhe dá um tratamento lúdico, para se aproximar de sua (de Maria da Paz) bela taxonomia ---, isto de nenhum modo implica que é pela "mediação" da poesia que a ciência converte-se em mito. A meu ver, a poesia tão-só joga, de forma lúdica, com o jargão da mito-ciência, na simultaneidade com que joga com o jargão do mito-relato-antigo.E, ao fim, esses jargões nem são tão distintos assim. Ou seja, a poesia brinca com cosmogonias. Aquela citação dos sábios brincando com o universo, Cardozo foi pinçar de Heráclito, tal qual citado por Estobeu, em um comentário sobre o espírito ou a alma ('soul'): 'Quão melhor, portanto, é Heráclito, que considera as opiniões humanas como brinquedos de criança'. Em outro trecho, diz Heráclito: "a eternidade é uma criança brincando (jogando), jogando damas." ("eternity is a child at play, playing draughts").


2. Assim sendo, Teoria da Relatividade e Psicanálise freudiana não seriam mais que dois relatos dos mais densos e importantes dentro do sistema mitológico moderno. E mais, estas idéias mitificadas (lembrando, aqui, a impossibilidade de "isolar" do moderno o mito antigo ou tradicional, ou vice-versa --- possibilidade inexistente, não factível) estão perpassadas, atravessadas pelos termos do mito tradicional. "Sonho" e "Morte", por ex., são termos tanto da ciência quanto. do relato antigo e não apenas "transpostos para o campo epistemológico da ciência" via lúdico. São, na verdade e com todas as letras, ciência.

3. Mitopoema, como você define, "é o lugar de incidência do lúdico". O lúdico, por seu turno, "constrói uma significação que não é aderente nem ao discurso da ciência, nem ao discurso mítico". Correto. Mas não o é precisamente por não haver diferença entre os dois.
Quando Cardozo afirma  que a ciência é a mitologia de nosso tempo isto não tem nenhuma conotação relativa ou modal, mas absoluta. Autores como Adorno ou Benjamin têm a mesma visão que Cardozo. Ou seja, a de que esta ciência instrumental assumiu precisamente a condição daquilo que ansiava conjurar: o mito.

Um abraço,


Ruy





From: Maria da Paz Ribeiro Dantas
To: Ruy Vasconcelos
Sent: Wednesday, June 01, 2005 2:14 PM
Subject:
Re: sobre o 'mito e ciência' 
- uma nova defesa,,, 

Ruy,

Fico feliz pelas suas impressões sobre o livro..

É bom esse encontro, esse diálogo de sensibilidades, em torno do sensível e do inteligivel.

Entendo as suas restrições à mitologia de Barthes. Eu também considero a autonomia do mito, mas no momento em que ele é transportado para um outro contexto, sua natureza se altera. É como se ocorresse (e de fato é isso que se dá ) uma fusão química. Fora desse contexto criado pela análise ( contexto esse no qual o que se tem é tão somente um objeto construído, não existente a priori, como é o caso do mito tradicional, já incorporado ao tecido cultural da história humana), não existe "mitopoema". A própria ciência, no modo como tem sido ordinariamente poetizada, não atinge a condição de "mitopoema", essa  coisa resultante de uma espécie de reação, entende ? E que nasceu  do conhecimento intelectual  unido à  fantasia poética de Joaquim Cardozo. De minha parte, criei esse conceito para definir o que me pareceu uma  coisa nova, um território ainda virgem. Essa operação que realizei  associando  Barthes a Cardozo poderia até ser chamada  também de "jogo" E, como tal, não reivindica nenhuma atitude de conquista de espaço ou de domínio, como quem dissesse : mito deixa de ser isso e passa a ser esta outra coisa.. Ele só adquire essa fisionomia ( de objeto construído) dentro do contexto da análise. Fora dela, tudo - mito, ciência e poesia - continuam sendo o que são, o que sempre foram antes. Aliás, sobre essa questão do surgimento do poético a partir da ciência, discorro no Joaquim Cardozo contemporâneo do futuro,  quando trato do Um livro aceso e nove canções sombrias. Ali, eu digo que em Canção para os que nunca irão nascer é a ciência que predomina, e não a poesia

Entremeadas às questões colocadas por você,  seguem as minhas  respostas :  uma espécie de segunda defesa d´O Mito e a Ciência, a que você me submeteu com  suas argüições (gostei desse exercício, até porque recuperei alguns pontos que já não estavam muito nítidos em minha cabeça.

Um abraço 

Maria da Paz

 

----- Original Message -----
From: Ruy Vasconcelos
To: Maria da Paz Ribeiro Dantas
Sent: Monday, May 30, 2005 4:23 AM
Subject: sobre 'mito e ciência' ---

Prezada Maria,

envio-lhe cacos de leitura, alguns pontos assinalados de ' O mito e a ciência na poesia de Joaquim Cardozo':

"Imaginação desaparelhada de visão científica". (p.5) Isto ficou girando em minha mente de tão bem expresso. Girando em espiral, para lembrar de Vico.

"[o] lúdico... constrói uma significação que não é aderente nem ao discurso da ciência nem ao discurso mítico, se considerados isoladamente." (perfeito e bem posto).

"Schiller situa o lúdico num contexto de humanismo, relacionado com a estética, enquanto Freud remete o objeto em questão para um plano mais próximo ao da significação mitopoética"

(É isto, mas prefiro 'mítica' ou 'mitificada' em vez de 'mitopoética)

Lembro perfeitamente (não só lembro, mas tenho arquivado) o e-mail em que argumento seu questionamento referente à palavra "mitopoético" (criada por mim).Em outras palavras, mitopoético é o que resulta da junção entre o mítico (este tomado no sentido que você aceita para o termo, ou seja, o mito já consagrado pela história e estabelecido como patrimônio cultural).

Quando você fala na página 17 da viagem como motivo, e cita as grandes navegações, senti falta de uma fala, de uma menção à viagem/navegação mais arquetípica da literatura ocidental: a 'Odisséia'.

Sim, realmente, e aí caberiam também outras, como os Lusíadas etc etc.

Minha discordância de Barthes é simples. Chega a ser tosca. Para mim, todo poema é já mitopoema. Não aceito a distinção que ele faz entre ambos. E quando, no capítulo 10, você faz a distinção, dentre os poemas de Cardozo, aqueles que são míticos e não mitopoéticos, esta distinção, a meu ver, inexiste.

Na verdade, a idéia não é de Barthes, é minha (cfr. pp. 19 e 20. Ali defino a diferença DENTRO DESSE OBJETO CONSTRUÍDO , o mipotoema (com seu conteúdo de irreverência em relação ao mito como você o entende)

E daí o questionamento do que sobrevêm, como:

"O objeto da ciência difere, portanto,do objeto mítico ou do objeto poético". (p.17) Minha pergunta: será que difere mesmo?

Eu só teria a dizer, repito, o que está na pág. 19. E se Cardozo trabalha consciente ou não com essa diferença, não sei. O que nos ( me) interessa é o que está no significante, no texto.É ali que se dá o curtocircuito provocado justamente por esse desvio de trama , no tecido da linguagem estabelecida que é a do mito tradicional. Estabelecida porque, segundo esse tipo de discurso ( e aqui tudo é considerado enquanto discurso, forma de dizer, não enquanto conteúdo), o mito (ou o mítico) é sempre uma verdade coletiva. Assim ele é utilizado na poesia científica, também do ponto de vista tradicional. Mesmo no próprio Cardozo, em textos como os do Livro Aceso. Isso o demonstrei no Joaquim Cardozo Contemporâneo do futuro, afirmando que ali não ocorre esse curtocircuito ( esse curto é tão somente uma vibração. uma centelha). Enquanto que, fora dali, tudo é dito poeticamente, sim, mas de forma muito comportada, com seu status acadêmico de poesia científica. Poesia e ciência muito bem casados. dentro de uma união sem surpresas (um exemplo desse tipo de poesia em que Cardozo é enquadrado sem reservas pode ser comparada por você no texto de Delmo Montenegro, no link Depoimentos- Fortuna crítica - do site www.joaquimcardozo.com).

Borges fala expressamente em "inconsciente" como "mito": "o mito, isto que o jargão da psicanálise insiste em chamar de inconsciente" (cito de memória).

Bachelard também se volta para esse aspecto da questão. Mas veja, amigo, nenhum humano, por mais consagrado que seja, é inquestionável. ...

"O mito se distancia da ciência, mas é por ela 'assimilado'" p.23). Eu inverteria os fatores: "a ciência ([tenta) se distanciar do mit, mas é por ele assimilado". (Isto é exatamente o assunto de gente como Adorno (em sua 'Dialética do Esclarecimento') ou, mais dispersamente, em vários ensaios de Benjamin ['o narrador', p. ex).

Há um momento em que a ciência torna-se mito, sim , e isso seria quando ela não se auto-superasse enquanto busca do conhecimento.O que é mito na ciência não é certamente a sua alma – que é a dúvida e a busca de mais certeza. de "mais luz" ,como queria Goethe na hora da morte (teria sido "luz" no sentido místico ou racional" ?...) O mito na ciência ocorre quando se vê nela a verdade. O próprio Iluminismo hoje é um mito.O mito da razão; que aliás, Cardozo ironiza dentro de Visão do último trem

É claro que "tratamento lúdico da ciência dentro do discurso (mito)-poético" é o projeto de Cardozo em 'Trivium', muito bem definido. Tão-somente retiraria o mito antes do poético, porque o discurso científico é também mitologia.

O capítulo 3 é de uma beleza muito específica, ao traduzir para o leitor leigo a beleza e estranheza de certos conceitos da física. Por exemplo.: "O fenômeno do calor não constitui uma substância, mas resulta de um acidente." (p.29), O próprio cone de luz (p. 30), em si uma bela imagem. Imagem que reveladora, aliás, de que a linguagem do cotidiano (por meio da qual se relata o mito) é a mesma reivindicada pela ciência moderna, até mesmo em seu jargão mais fechado.

Destaco a p.35, e a lembrança (perspicaz) da imagem do labirinto.

Na página 41: a exposição da visão do pós-mortem para os gregos, a confecção do kolóssos, a psyché, o onéiros, o duplo etc.

Se na visão de Barthes -- um autor muito. bom de se ler, mas talvez em débito com a verdade em determinados lapsos -- uma das condições para a linguagem tornar-se mitológica é dar-se a "anulação da perspectiva histórica sobre o objeto", nesse caso, toda a física einsteiniana é mítica, uma vez que suspende krónos - ou o identifica com o espaço numa mesma processualidade. Em Einstein, por vias aparentemente "conscientes", retorna-se ao sem tempo à a-história do mito original.

Lembre que a Física não é uma "ciência humana"mas uma "ciência exata" E aqui pode se intrometer uma componente mítica, se não se tiver presente que ela só é ciência no momento em que é demonstrada e reconhecida como tal por toda uma comunidade científica. As teorias de Einstein sobre a relatividade ainda são ciência: já foi testada sua teoria na questão da gravidade, quando se observou que a luz se desvia de sua trajetória ao passar pela órbita de um corpo planetário (isso foi testado no eclipse solar de 1919, e um dos pontos de observação da equipe de Einstrein foi Sobral, no Ceará). Ou seja, no instante em que passava pela órbita do sol, o raio luminoso sofreu um desvio de sua trajetória, pela curvatura do espaço.

À p. 61, escrevi a lápis: "O poema. Seu movimento. É inteiramente o inverso. Tratar ludicamente a ciência como mito sem se ocupar de consciências. Apenas pelo fato de a ciência ser, contingencialmente, o 'nosso' mito, o mito contemporâneo..." (grifos meus).

A teoria de Barthes, no livro Mitologias, que me serviu de suporte teórico, está mais voltada para a mitificação da linguagem social dos símbolos. Tudo, dentro de uma sociedade, você bem o sabe, é linguagem : as grifes conotam, dizem status e por aí vai. Nesse sentido, Barthes postula que aspectos da cultura são mitificados quando vistos de uma perspectiva que não considera o contexto social, histórico do qual se fala ou está inserido o objeto. Um exemplo: os pseudo hippies de hoje são míticos no ridículo ingênuo de suas roupas.Eles não estão vivendo nenhum protesto, estão seguindo um padrão de consumo.E assim por diante.

À página .90, referindo-se ao último parágrafo, grafei: "O ponto, aqui, neste bom sumário da questão, é que 'esta consciência do plano da fábula' é transitória -- ou ao menos tão transitória quanto o era para os gregos -- no fim das contas, uma exegese.

À página 91, escrevi em rodapé:

"Este 2º andar -- o 'nível de consciência da fábula' -- é onde se situa o pomo da discordia. Maria da Paz acredita nele. Eu não, e suponho que Cardozo, idem.

"A consciência do poeta, no poema em questão, se evidencia ao nível do discurso, pela escolha de uma forma de linguagem; a qual permite a auto-reflexão sobre a própria linguagem.De fato, como seria possível, sem soar forçado ou inverossímil , uma reflexão crítica do tipo "e as minhas palavras são tecidas de eloqüência/ essa tão malsinada ciência", a não ser por meio de um recurso ficcional ? Ou seja, o poeta não é inocente quanto ao tipo de linguagem em que está se expressando, embora coloque - como uma espécie de testa de ferro - uma personagem... de fábula.

Eu digo que nesse poema o discurso é mítico porque não há nele o traço de humor que desestabiliza a seriedade, o tom solene da Serra falando para si mesma, como que de fora do tempo historico, cronológico.

p. 96 Eis, de novo, a questão em sumário: "a tensão entre a ciência e o mito ora ocorre por meio do lúdico, ora se verifica fora do lúdico, sendo que, neste caso, o discurso é mítico não mitopoético."

Ora, isto atribui um grau de consciência quase absoluta para o autor do mitopoema, a meu ver. Pode-se pensar, aqui, quebrando com idéias como as de evolução linear e progresso, por autores que se expressam próximos de Giambattista Vico (leitura recorrente de Cardozo e de quem senti falta em suas atentíssimas análises):

"Não devíamos ter como último critério de julgamento o fato das ações de um homem se justificarem ou não à luz da evolução posterior. Afinal de contas, nós mesmos não estamos no final da evolução social." (Raymond Williams)

Esta é uma visão mais instável, viquiana, desconfiada do que nós tão orgulhosamente chamamos de auto-consciência.

Já deu pra você perceber que o meu problema não é com você, mas com Barthes. Os teóricos franceses, herdeiros do cético-mor Descartes, que reivindicava o idioma da limpidez e da clareza, estão entre os mais barrocos (no mau sentido) que já li. Especialmente os pós-estruturalistas: Lacan, Derrida e Deleuze em especial. mas também Foucault, Barthes e Lyotard.

O seu 'Mito e Ciência' é um livro completo e seguindo uma lógica de análise crítica impecável. No entanto, o valor não heurístico, mas absoluto atribuído ao pensamento de Barthes, é aí que a coisa desanda. Pelo menos para mim.

Para completar as 10 questões: Vico fala das idades do mito. Também aí o mítico é segregado fora da história. Tem a ver com a lógica de Barthes, quando. ele coloca o mito como a-histórico. Só que Vico pega as grandes narrativas, toda uma concepção do humano genericamente visto. Enquanto. Barthes pega fragmentos de linguagem (não só a falada). É como se o primeiro -Vico - fizesse uma panorâmica e o segundo, um close. Você, que lida com cinema, entende bem o que estou dizendo.

O resto é o prazer da companhia. De atravessar os meandros deste poema complexo e alusivo. E sobre o que me agrada, costumo ser mais elíptico -- e isto você já deve ter percebido.

Um abraço.

Ruy




Estimada María de Paz Ribeiro Dantas:

Acabo de leer su sustancioso estudio sobre el poeta Joaquim Cardozo, del cual había escuchado pero nunca leído, que me entregó, dedicado por usted, el poeta Humberto França durante su visita a la Argentina; y me sentí con ganas de escribirle para expresarle mi agradecimiento, porque desde el fragmento que abre la obra como epígrafe siento que estoy ante el libro que siempre he buscado y ahora sé que existe. Mi pasión por el juego se puede resumir en aquella única frase que, aunque fuera solamente esa, para mí ya vale el libro todo. Si bien me dedico a la novela, el cuento y el ensayo, así como también a aquello que llaman "prosa poética", que para mí es un oxímoron poco feliz como"hierro de madera", como diría Nietzsche, la poesía me apasiona. Intuyo que mi búsqueda expresiva está emparentada con la obra de Cardozo.

En estos momentos hay una muestra de pintura de 6 países de América Latina dedicada al arte lúdico acorde al manifiesto redactado por un grupo de artistas mexicanos que organiza la Revista Internacional de Literatura y Arte FRANCACHELA que yo edita.

Volviendo a su fascinante estudio sobre Cardozo, le aseguro que me atrapa, ya que su escritura logra despertar en mí ese placer o gozo que produce la palabra justa que sólo hacen posible los poetas de verdad, además de que voy a procurar conseguir varios de los libros de autores brasileros que usted cita que han suscitado mi interés.

Pienso que sabrá por Humberto que dirijo un proyecto de integración cultural latinoamericano bajo la égida de la Revista FRANCACHELA, en el cual Brasil ocupa un lugar destacado gracias al trabajo infatigable de nuestro compañero Cyl Gallindo, quien dirige también una colección de libros de autores brasileros traducidos al español que publicamos en nuestro sello editorial en la Colección CICLA.

Acepte por el momento estas breves líneas apresuradas. Estoy en el medio de la exposición, con artistas de varios países, etc., pero no podía dejar de adelantarle mis impresiones.

Reciba usted nuevamente mi agradecimiento y un saludo fraternal.

Lic. José E. Kameniecki




----- Original Message -----
From: Virna teixeira
Sent: Friday, July 22, 2005 4:02 PM
Subject: Joaquim Cardozo

cara maria da paz,
 
estou lendo o Joaquim cardozo Contemporâneo do Futuro e apreciando muito a leitura e o seu trabalho - não só pela sua excelente qualidade mas também por trazer ao público um poeta injustamente esquecido. Parece-me que Joaquim Cardozo era completamente contemporâneo. não só na sua poesia, como você bem observou, mas também na maneira particular de conduzir sua vida pessoal. Um homem à frente do seu tempo e fiel a si mesmo.
 
Infelizmente quase não conhecia sua poesia e ao ler a sua seleção de poesia escolhida, fica-se com vontade de ler mais. Gostei principalmente dos poemas curtos e dos seus poemas de amor que são, pode-se dizer, "de passagem". Porém vou continuar explorando a leitura, pois ainda não terminei e há trechos que preciso voltar, para apreender melhor. Mas gostaria de comunicar estas primeiras impressões. queria falar um pouco do seu livro no blog. Posso colocar o seu e-mail para os interessados entrarem em contato com você? Caso contrário, posso sugerir que procurem na livraria cultura, por exemplo.
 
um abraço,
 
virna 

Virna Teixeira
Http://papelderascunho.net




----Original Message -----
From: elisa fonseca
To: maria da paz ribeiro dantas
Sent: Saturday, November 19, 2005 1:24 AM
Subject: Cardozo


Cara Maria da Paz,

Espero que tenha seguido corretamente o depósito que efetuei. Depois confirme se puder para que eu o saiba.

Visitei o website sobre Cardozo. Além de estar muito bonito, é importantíssimo para a memória cultural do país. Meus parabéns a você. Se merecemos Cardozo, você o merece como ninguém!

Estou no momento terminando de revisar meu projeto de dissertação sobre Cardozo, a ser desenvolvido no próximo ano. Algo um pouco perturbador, mas esperado, às vezes me desanima um pouco: tem sido complicado sustentar a relevância desse estudo para o Programa de Pós-Graduação em Urbanismo. É algo que a princípio me custou compreender... mas agora sinto que a cada revisão o projeto fica melhor delineado e se tudo correr bem terei a aprovação da banca em breve.

O importante a te dizer é que teus livros agraciaram muitas das minhas tardes de duro trabalho acadêmico. Ainda não concluí todas as leituras pois a todo tempo é preciso voltar às teorias metodológicas que orientam a pesquisa e sistematizar muitos temas que permeiam minha questão. Mas sempre que possível corro os olhos por algumas das páginas sobre Cardozo. Onde Cardozo se torna o suspiro! Agradeço a você pela dedicação a essa grande figura, o que veio tornar meu trabalho um pouco mais fácil e sem dúvidas mais prazeroso!

Abraços,
Elisa.




----- Original Message -----
From: victor sosa
To: maria da paz ribeiro dantas
Sent: Wednesday, June 07, 2006 6:37 PM
Subject: Joaquim Cardoso

Preciada Maria:
leí con mucho gusto tu Joaquim Cardoso, contemporaneo do futuro, y quedé encantado por el trabajo poético de ese autor que desconocía y de tu esclarecedor estudio introductorio. Visao do último trem subiendo au ceu, es un poema extraordinario, tanto por su estructura formal y experimental, como por la temática metafísica que va desarrollando en ese viaje iniciático y aéreo. En el capitulo II analizas muy bien ese viaje y contextualizas a Cardoso en su época, en esa modernidad científico-técnica que es también hilo conductor de su poética alucinada.
¿Sabes si ese poema está traducido al español? En caso contrario, me gustaría hacerlo, como una pequeña retribución a su gran poesía y a tí que me la has dado a conocer.
Un abrazo afectuoso,

Victor.




----- Original Message -----
From: schmalz
To:
peace40
Sent: Tuesday, June 17, 2008 10:28 AM
Subject: Joaquim Cardozo


Prezada Maria da Paz:
 
 
Sou a aluna de prof. Lourival que falou com você, ontem. Gostaria de fazer umas perguntas sobre Joaquim Cardozo:
 
 
1. Como classificar a poesia dele, em especial, a produção de Signo Estrelado?
 
2. Interpretando o Soneto de Vidro, poderia dizer que ele trata do próprio vidro? Haveria um eu metafísico, isto é, estaria Joaquim Cardozo se comparando ao vidro, transparente, limpo e frágil?
 
O trabalho será entregue na próxima sexta-feira, dia 20 e ainda não finalizei. Sua opinião será de muito valor.
 
Atenciosamente,
 
Vera Galvão
 
 


----- Original Message -----
From:
Maria da Paz Ribeiro Dantas
To: schmalz
Sent: Tuesday, June 17, 2008 1:12 PM
Subject: Re: Joaquim Cardozo


Olá Vera,
 
sobre a sua primeira pergunta, você pode encontrar a resposta no site www.joaquimcardozo.com. Clique em links, em seguida em Correio Braziliense. A quarta pergunta da minha entrevista contém o que eu penso a respeito dessa questão de classificação de autores. Acho que um poeta como Joaquim Cardozo foge a uma localização específica; no caso desse soneto, eu acho que ele joga com um  simbolismo das imagens, mas dentro de uma sensibilidade moderna.
 
Quanto à pergunta n° 2,
 
acho que a própria linguagem do poema dá margem a várias interpretações, ( ou como se queira dizer).. Esse ser de que fala o poema é o próprio soneto, que  o poeta  (ou o eu lírico) diz ser transparente como o cristal. É esse ser que faz as vezes de "espelho", pois é nele que o eu lírico se vê, como num espelho. Mas tudo é como se fosse, tudo é sugestão, é sonho. Nada pode ser fixado como se fosse "só' aquilo, entende ? A poesia fala de uma realidade intercambiável, fluida.Por isso, ´e bom seguir o conselho contido no segundo terceto. A precaução eu vejo  - também - como uma advertência no sentido de não cristalizar o sentido.
 
Deu pra responder ?
Disponha sempre. E aproveito para enviar um abraço ao professor Lourival.
Para você, o abraço fraterno de
 
Maria da Paz
Enviar para um amigo
 
 Rede de Idéias                           Editora: Maria da Paz Ribeiro Dantas. Colaboração especial: Douglas Tabosa de Almeida                                      .